Dramaturgia natural (vulgo documentário).
Quais são as linhas que separam a ficção da realidade dentro de um documentário? Se é que elas existem! Documentário com: Jorge Bodanzky, Helena Solberg,Cris Casares, Silvio Tendler e Alex Gabassi. Direção: Fernanda Versolato/ Maya Batista /Fotografia: Matheus Prestes /Trilha Sonora: Paulo Miklos /Produção: Diego Saenz /Edição: Bruno Mazzoco
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Processo"final"
Estamos no final do processo, como dizem o filho esta para nascer e terá 1h e 10 min.
Nesse momento a vida do documentário esta em jogo.
Será que perguntamos tudo que deveríamos? Ate onde vamos poder ir com ele?
Qual é a melhor imagem e o melhor plano de cada entrevistado.
Como fazer o editor entender o que queremos?
O trabalho de edição é um trabalho árduo de idas e vindas.
É hora de fazer com que os nossos entrevistados se sintam satisfeitos e para isso vale até uma edição feita no papel.
A câmera enquadra o que vemos e omite o que não veremos,e a edição define o que seremos!
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Rio de Janeiro com Helena e Silvio
Rio, muito calor e muitas surpresas.
Foi assim que começamos nossa filmagem.
Em uma cidade, com a qual não temos muita intimidade, entrevistamos os nossos primeiros documentaristas.
Começamos com Helena, e depois Silvio. Uma conversa mais gostosa que a outra.
Na realidade, é muito estranho entrevistar alguém, já que o tempo é outro, e você não pode dar continuidade ao que eles falam como numa conversa, falando bobagens, etc. Também tem a câmera, que intimida. E como eles sao pessoas muito interessantes, vc acha que seu repertório nunca é o suficiente. São pessoas legais de se conhecer, de travar uma conversa num bar, sabe?
As 16h chegamos na casa da nossa primeira entrevistada Helena Solberg.
Nervosos, sem poder demonstrar.
Finalmente, poríamos em pratica tudo o que adquirimos nos últimos meses: livro e documentários lidos/ vistos á exaustão; perguntas que criamos e todo o resto.
Helena, de amarelo com serenidade, nos recebeu muito bem. Fomos nos tranquilizando.
Ótima conversa, ótima vista....muito material para editar.
Éramos naquele dia naquela hora uma das pessoas mais felizes do cinema, estavamos ali e não queríamos estar em outro lugar nem estar fazendo outra coisa.
Num intervalo com aquele mar lindo sabiamos que no outro dia outro desafio nos aguardava...
As 20h chegamos na nossa segunda entrevista,ficaríamos frente a frente com Silvio Tendler.
Já havíamos filmado Silvio antes, na pré estreia de Tancredo; mas agora era outra historia.
Na casa de Silvio, muitas cores, muitos objetos....muito cênico, tudo lindo.
Entre uma piadinha e outra, ligamos a câmera.Silvio muito simpático nos deixou sentindo que estavamos fazendo a coisa certa.
Mais uma ótima conversa.
Como agradecer a gentileza dessas mestres que aceitaram dar seus depoimentos?
Fazendo um ótimo documentário,material é o que não falta.
Como agradecer a gentileza dessas mestres que aceitaram dar seus depoimentos?
Fazendo um ótimo documentário,material é o que não falta.
sábado, 22 de outubro de 2011
Por um filme.
Voltamos hoje de mais uma reunião. O tempo está passando depressa demais e os imprevistos tomam conta do nosso plano de filmagem. É um momento onde o equilíbrio entre ambas deve estar afinado. Sinto que está. Eu e Maya não concordamos em muitas coisas,mas é engraçado algo bom acontece nessas diferenças.
Ás vezes temos surtos de criatividade entre um copo de cerveja ou uma conversa por telefone, e ás vezes tentamos pensar em uma saída inovadora diante de uma situação difícil e nada acontece. Quando estamos em uma saia justa a Maya faz um bico e eu arregalo os olhos, ia ser muito engraçado se tirassemos uma foto das nossas caras nesses momentos. Sempre,quase sempre procuramos dar uma pitada de humor paras os nossos imprevistos, quando estamos juntas sempre rimos, não porque façamos piada de tudo ,mas porque fazer cinema nos deixa feliz.
Temos momentos cinematográficos como a nossa caminhada gigantesca até o Cristo para chegarmos a casa da Helena,ou sentadas na frente do teatro esperando a resposta da nossa locação tão aguardada.O papo de dizer que fazer cinema é sonhar junto pode parecer um chavão, mas presenciar isso é algo muito bom. Ver e compartilhar da empolagação e empenho do Diego, do Matheus,do Wellignton e da Paula nós dá o impulso para ir cada vez mais longe.Cinema é uma relação afetiva baseada em coisas misteriosas relacionadas a generosidade. No dia em que analisarem o gene das pessoas que resolveram fazer cinema, sem dúvida se encontrará o gene da fraternidade,então se descobrirá o segredo da afinidade entre pessoas que se uniram por um filme.
A nossa equipe.
Ás vezes temos surtos de criatividade entre um copo de cerveja ou uma conversa por telefone, e ás vezes tentamos pensar em uma saída inovadora diante de uma situação difícil e nada acontece. Quando estamos em uma saia justa a Maya faz um bico e eu arregalo os olhos, ia ser muito engraçado se tirassemos uma foto das nossas caras nesses momentos. Sempre,quase sempre procuramos dar uma pitada de humor paras os nossos imprevistos, quando estamos juntas sempre rimos, não porque façamos piada de tudo ,mas porque fazer cinema nos deixa feliz.
Temos momentos cinematográficos como a nossa caminhada gigantesca até o Cristo para chegarmos a casa da Helena,ou sentadas na frente do teatro esperando a resposta da nossa locação tão aguardada.O papo de dizer que fazer cinema é sonhar junto pode parecer um chavão, mas presenciar isso é algo muito bom. Ver e compartilhar da empolagação e empenho do Diego, do Matheus,do Wellignton e da Paula nós dá o impulso para ir cada vez mais longe.Cinema é uma relação afetiva baseada em coisas misteriosas relacionadas a generosidade. No dia em que analisarem o gene das pessoas que resolveram fazer cinema, sem dúvida se encontrará o gene da fraternidade,então se descobrirá o segredo da afinidade entre pessoas que se uniram por um filme.
A nossa equipe.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Abaixo, segue uma passagem do livro “Imagens” de Ingmar Bergman.
É autobiográfico; essa passagem é bem bonita...
SOBRE O SUICÍDIO
"Viajei à Suíca, e ali hospedei-me num gigantesco hotel, de luxo, com um nome muito costumeiro: Monte Verità. A temporada ainda não tinha começado, haveria ao todo uns dez hóspedes no hotel, o qual estava aberto embora em reforma.
Aquelas montanhas me deixaram deprimido, principalmente na hora em que o sol, assim de repente, deixa de ser visto logo às três da tarde, quando já está do outro lado dos cumes. Não falava com ninguém, mas dava longos passeios e tentava obrigar-me a um certo número de rotinas. Nas proximidades do hotel havia uma casa de repouso, de luxo, para aristocratas sifilíticos, os quais davam seus passeios ao mesmo tempo que eu. Era um espetáculo inacreditável, pois aquelas pessoas eram cadáveres vivos em diversos estados de decomposição, ainda que disfarçados o melhor possível. No meu desespero, aluguei um carro e fui até Milão. Fui ao La Scala e, da torrinha, assisti a uma representação miserável de Vésperas Sicilianas, de Verdi. Quando depois dessa excursão regressei ao Monte Verità, àquelas montanhas e aos doentes que por ali havia, sentia-me completamente arrasado.
Não raro tenho considerado o suicídio. Isso principalmente quando era jovem e a existência se me apresentava intolerável.
Naquela altura, na Suíca, compreendi que tinha chegado o momento propício. Estava disposto a sentar-me ao volante, descendo pela estrada em serpentina sem brecar para que tudo parecesse um acidente, e assim, perante o irremediável, não deixaria ninguém triste.
Foi então que recebi um telegrama de Estocolmo em que me pediam para telefonar ao senhor Dymling da Svensk Filmindustri.
Quando falei com Dymning ele me pediu para regressar à Suécia, não para realizar Sorrisos de uma noite de amor, mas para trabalhar com o diretor Alf Sjöberg. Eu receberia um pagamento adicional ao estabelecido no contrato de escravo que tinha com a companhia. Era coisa urgente, portanto. Aliviado, adiei meu suicídio e voltei para casa"
"Viajei à Suíca, e ali hospedei-me num gigantesco hotel, de luxo, com um nome muito costumeiro: Monte Verità. A temporada ainda não tinha começado, haveria ao todo uns dez hóspedes no hotel, o qual estava aberto embora em reforma.
Aquelas montanhas me deixaram deprimido, principalmente na hora em que o sol, assim de repente, deixa de ser visto logo às três da tarde, quando já está do outro lado dos cumes. Não falava com ninguém, mas dava longos passeios e tentava obrigar-me a um certo número de rotinas. Nas proximidades do hotel havia uma casa de repouso, de luxo, para aristocratas sifilíticos, os quais davam seus passeios ao mesmo tempo que eu. Era um espetáculo inacreditável, pois aquelas pessoas eram cadáveres vivos em diversos estados de decomposição, ainda que disfarçados o melhor possível. No meu desespero, aluguei um carro e fui até Milão. Fui ao La Scala e, da torrinha, assisti a uma representação miserável de Vésperas Sicilianas, de Verdi. Quando depois dessa excursão regressei ao Monte Verità, àquelas montanhas e aos doentes que por ali havia, sentia-me completamente arrasado.
Não raro tenho considerado o suicídio. Isso principalmente quando era jovem e a existência se me apresentava intolerável.
Naquela altura, na Suíca, compreendi que tinha chegado o momento propício. Estava disposto a sentar-me ao volante, descendo pela estrada em serpentina sem brecar para que tudo parecesse um acidente, e assim, perante o irremediável, não deixaria ninguém triste.
Foi então que recebi um telegrama de Estocolmo em que me pediam para telefonar ao senhor Dymling da Svensk Filmindustri.
Quando falei com Dymning ele me pediu para regressar à Suécia, não para realizar Sorrisos de uma noite de amor, mas para trabalhar com o diretor Alf Sjöberg. Eu receberia um pagamento adicional ao estabelecido no contrato de escravo que tinha com a companhia. Era coisa urgente, portanto. Aliviado, adiei meu suicídio e voltei para casa"
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Esse é um vídeo do William Kentridge.
William Kentridge é um artista sul africano, que tem um trabalho que eu gosto MUCHO. Ele usa muito bem o branco e o preto, e seus vídeos tem um caráter bem lúdico e sensível, o que é lindo. Mas ao mesmo tempo, ele é super, ultra crítico, então também é interessante para quem se interessa pela África, e seus problemas sociais (o que só torna o trabalho maisss interessante).
Enfim, conheci o trabalho dele uns 2 anos atrás, e adorei. Ele não é muito conhecido por aqui, mas vale a pena.
Veja!
Ps: Preste atenção nas músicas, são ótimas.
Obrigada Marcia...
Gentil, elegante e cheia de ideias para dar.
Foi assim que conseguimos definir Marcia Bodanzky, após nosso primeiro encontro
Estávamos nervosas (como não ficar), difícil encontrar alguém que foi um divisor de águas no cinema brasileiro, que fez historia, que inovou.
Sabíamos quem iriamos encontrar e isso nos deixava cada vez mais apreensivas.
Foi assim que conseguimos definir Marcia Bodanzky, após nosso primeiro encontro
Estávamos nervosas (como não ficar), difícil encontrar alguém que foi um divisor de águas no cinema brasileiro, que fez historia, que inovou.
Sabíamos quem iriamos encontrar e isso nos deixava cada vez mais apreensivas.
Nessas horas, tudo passa pela cabeça da gente, desde inseguranças até um nervosismo apreensivo, e nada é mais precioso do que encontrar duas pessoas cheias de coisas para ensinar, e dispostas a dividir isso conosco.
Esse é o casal Marcia e Jorge Bodanzky. Um casal que reúne cultura e generosidade.
Conversamos, Marcia foi dando uma ideia aqui, outra ali e em pouco tempo já era “nossa querida consultora”.
Por isso Marcia, em especial agradecemos a você, que gentilmente colocou as obras do Jorge no correio, para que pudéssemos ter acesso aos seus filmes prediletos, que deu dicas preciosas tanto pessoalmente ou por e-mails.
Conversamos, Marcia foi dando uma ideia aqui, outra ali e em pouco tempo já era “nossa querida consultora”.
Por isso Marcia, em especial agradecemos a você, que gentilmente colocou as obras do Jorge no correio, para que pudéssemos ter acesso aos seus filmes prediletos, que deu dicas preciosas tanto pessoalmente ou por e-mails.
Obrigada pela sua gentileza, obrigada por tudo.
Saímos de lá e Maya logo em seguida me disse “Você tem noção de quem acabamos de encontrar?”
Sim, encontramos um dos maiores cineastas do Brasil e sua mulher Marcia, simplesmente brilhante.
Saímos de lá e Maya logo em seguida me disse “Você tem noção de quem acabamos de encontrar?”
Sim, encontramos um dos maiores cineastas do Brasil e sua mulher Marcia, simplesmente brilhante.
sábado, 15 de outubro de 2011
Roubar a cena...
Numa das nossas primeiras reuniões com um de nossos documentaristas, surgiu um assunto muito interessante; ele dizia que é muito fácil roubar a cena.
Como assim?
Entre um gole da café e uma pausa dramática, ele dizia:
Quando você está filmando uma cena, qualquer que seja, é muito fácil você roubar. Você
rouba quando filma um por do sol lindo, uma criança sorrindo ou um sorvete colorido.
Pois a vida é linda, e está aí.
Ou seja, ele quis dizer que é muito fácil e cômodo filmar algo bonito e simples, mas aí você
está roubando, pois a grande sacada está em filmar algo não óbvio, a principio banal, e
muitas vezes com uma beleza escondida.
Como os prédios em São Paulo, que a principio são feios, sem charme.
Aí reside a graça! Como tornar isso bonito?
E quando você vence esse desafio, e filma algo do gênero dos prédios, algo “estranho”, essa
cena tende a se tornar algo poética e cheia de segredos. Conquistando uma beleza própria,
difícil de ser alcançada. E por isso mesmo, preciosa, e conquistada.Vale muito mais a pena que um por do sol qualquer.Por isso, quando for filmar alguma coisa, pense se você está roubando o jogo.
Filmemos xícaras sujas, ao invés de sorvetes coloridos.
Filmemos mãos, ao invés de olhos azuis.
Filmemos o não óbvio!
Maya
Como assim?
Entre um gole da café e uma pausa dramática, ele dizia:
Quando você está filmando uma cena, qualquer que seja, é muito fácil você roubar. Você
rouba quando filma um por do sol lindo, uma criança sorrindo ou um sorvete colorido.
Pois a vida é linda, e está aí.
Ou seja, ele quis dizer que é muito fácil e cômodo filmar algo bonito e simples, mas aí você
está roubando, pois a grande sacada está em filmar algo não óbvio, a principio banal, e
muitas vezes com uma beleza escondida.
Como os prédios em São Paulo, que a principio são feios, sem charme.
Aí reside a graça! Como tornar isso bonito?
E quando você vence esse desafio, e filma algo do gênero dos prédios, algo “estranho”, essa
cena tende a se tornar algo poética e cheia de segredos. Conquistando uma beleza própria,
difícil de ser alcançada. E por isso mesmo, preciosa, e conquistada.Vale muito mais a pena que um por do sol qualquer.Por isso, quando for filmar alguma coisa, pense se você está roubando o jogo.
Filmemos xícaras sujas, ao invés de sorvetes coloridos.
Filmemos mãos, ao invés de olhos azuis.
Filmemos o não óbvio!
Maya
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
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