Numa das nossas primeiras reuniões com um de nossos documentaristas, surgiu um assunto muito interessante; ele dizia que é muito fácil roubar a cena.
Como assim?
Entre um gole da café e uma pausa dramática, ele dizia:
Quando você está filmando uma cena, qualquer que seja, é muito fácil você roubar. Você
rouba quando filma um por do sol lindo, uma criança sorrindo ou um sorvete colorido.
Pois a vida é linda, e está aí.
Ou seja, ele quis dizer que é muito fácil e cômodo filmar algo bonito e simples, mas aí você
está roubando, pois a grande sacada está em filmar algo não óbvio, a principio banal, e
muitas vezes com uma beleza escondida.
Como os prédios em São Paulo, que a principio são feios, sem charme.
Aí reside a graça! Como tornar isso bonito?
E quando você vence esse desafio, e filma algo do gênero dos prédios, algo “estranho”, essa
cena tende a se tornar algo poética e cheia de segredos. Conquistando uma beleza própria,
difícil de ser alcançada. E por isso mesmo, preciosa, e conquistada.Vale muito mais a pena que um por do sol qualquer.Por isso, quando for filmar alguma coisa, pense se você está roubando o jogo.
Filmemos xícaras sujas, ao invés de sorvetes coloridos.
Filmemos mãos, ao invés de olhos azuis.
Filmemos o não óbvio!
Maya
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